O APAGÃO DOS MOTORISTAS NO TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE PASSAGEIROS

Estudo independente aponta risco de apagão de motoristas de ônibus até 2035

Pesquisa mostra que país perdeu 1,2 milhão de condutores habilitados em dez anos; escassez de mão de obra atinge também construção civil, comércio e serviços

Estudo recente realizado de forma independente pelo pesquisador Selmo Oliveira traçou um diagnóstico preocupante para o transporte rodoviário de passageiros no Brasil: o país pode enfrentar um apagão de motoristas profissionais até 2035, com consequências diretas na mobilidade da população.

A pesquisa, intitulada “O Apagão dos Motoristas no Transporte Rodoviário de Passageiros”, revela que entre 2015 e 2025 o Brasil perdeu 1,2 milhão de condutores habilitados nas categorias C, D e E. Atualmente, a idade média da categoria supera os 46 anos, e menos de 10% dos motoristas têm menos de 30 anos – um sinal claro da falta de reposição geracional.

O fenômeno, no entanto, não é exclusivo do setor de transporte. Relatos de empresários e entidades patronais indicam que a dificuldade para contratar mão de obra qualificada tem se tornado recorrente também na construção civil, no comércio varejista e no setor de serviços, refletindo mudanças no perfil dos trabalhadores e nas relações de trabalho.

Levantamento da CNT de janeiro de 2026, incorporado ao estudo, indica que 55,6% das empresas de transporte de passageiros estão com vagas abertas. No transporte interestadual, o índice ultrapassa 60%. A rotatividade anual chega a 40% em algumas operadoras, e o tempo para preencher uma vaga em linhas de longa distância já passa de 45 dias.

Entre as causas da escassez estão o fim da antiga “carreira‑escada” que formava motoristas internamente, a concorrência com setores como agronegócio e aplicativos, e o custo elevado para obter a habilitação profissional – entre R$ 3,5 mil e R$ 6 mil.

O estudo propõe medidas como a criação de um programa nacional de formação com CNH subsidiada, investimento em infraestrutura nas rodovias e a inclusão feminina no setor – hoje, apenas 3,4% dos motoristas de categorias pesadas são mulheres.

O documento na íntegra estará disponível para consulta e download neste site.

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